Sabes essa sensação de te sentires pequenina? Quase invisível?


São muitos os contextos onde assim me senti.

A acreditar que os outros sabiam mais, tinham mais capacidades, mais força, mais voz.

Mais beleza, mais recursos, mais possibilidades.

E a forma elegante que encontrei de lidar com isso e de me proteger, foi sobressair através da performance. Notas excelentes. Resultados impecáveis. Assim pertencia (isso achava eu), só que muitas vezes o efeito era o contrário. E alimentava a mesma sensação: sentir-me diferente.

Esse lugar de "pequenina" fez-se sentir em diferentes relações. Laborais, de amizade e amorosas. Assumir essa posição de mais frágil, a precisar de ser cuidada, protegida.

Quando cheguei à Europa, abriu-se a porta da autenticidade e da liberdade mas, paradoxalmente, a sensação não me abandonava. A cada "rejeição" por ser colombiana, por não ser cidadã europeia, por não falar catalão, aprofundava essa "ferida". As dificuldades iniciais após o mestrado para encontrar um emprego desanimaram-me, mas não o suficiente para desistir.

Chegava até ao final do processo de seleção e a mensagem era a mesma: não temos condições para contratar um estrangeiro não comunitário com o nível de desemprego que há atualmente em Espanha.

Eu sei que não tinha nada a ver com as minhas competências, mas como fazer essa distinção entre o que sou e o que faço? Como entender que o meu valor não diminuía por causa da burocracia e da nacionalidade?

É um desafio para a vida toda.

Sentimo-nos valiosos e com dignidade independentemente das origens, das histórias que carregamos, da nacionalidade, das escolhas...

Vamos encontrando máscaras, estratégias e camadas para sermos vistos e reconhecidos, para pertencer...

Só que, na realidade, continuamos a aparecer "escondidos". Mesmo quando as máscaras são a grandiosidade e a super performance, o medo está lá dentro.

O medo de não sermos amados como somos.

Acompanho muitos coaches e profissionais desta área. E sinto muita compaixão pelos nossos lugares comuns. Esses lugares que se sentem menos, pequenos, assustados, invisíveis.

Comparamo-nos com os outros. Escondemo-nos. Desaparecemos.

E, quando abraçamos a coragem para aparecer, muitas vezes torna-se difícil sustentar a ativação desse momento em que vamos ser vistos. 

Então, desaparecemos outra vez.

Na esperança de sermos encontrados... 

Hoje, desde um lugar mais adulto e que mais facilmente se permite ocupar o seu lugar, reconheço essa parte pequenina. E procuro oferecer o que precisou e faltou. 

Dessa forma, dignifico as minhas histórias e as levo com mais gentileza e curiosidade, até.

Se leste até aqui, agradeço a tua presença. 

Que possamos ocupar o nosso lugar, sem invadir e sem desaparecer.

Sem hiperfuncionar e sem colapsar.

Com a plena missão de que somos dignos e temos valor só pelo facto de existirmos. 

Estamos juntos.


 
 
 

Abraço sereno,

Ana Higuera

 

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Inveja e ciúmes de outros profissionais