Transformando o coaching
Acredito que não é preciso sermos psicólogos para servir com integridade.
Mas acredito, também, que é nossa responsabilidade pessoal integrar conhecimentos que nos permitam apoiar o coachee com maior segurança, ética e competência.
Trago-te uma história real (nome alterado, contexto modificado).
As histórias reais ajudam a ganhar perspectiva e competência.
A Inês é coach e trabalhou comigo num programa de mentoria individual para melhorar os resultados do seu projeto.
Na terceira sessão, a Inês chegou com dificuldade em manter contacto visual.
Notei um tom de voz mais baixo e pausado; estava algo pálida, cabisbaixa.
Cumprimentei-a, tentei conectar descrevendo algo diferente que observei no ambiente (era uma sessão via Zoom).
Ela não sorriu, como habitualmente fazia.
Se isto tivesse acontecido em 2019 ou 2020, provavelmente teria ficado nervosa em modo autojulgador:
O que estou a fazer de errado?
Será que ela não está a gostar do processo e hoje vem assim desmotivada?
O que poderia ter feito melhor?
A tendência, para acolher o nervosismo, teria sido preencher o silêncio com perguntas para ampliar o seu estado atual:
O que está a acontecer agora?
Como te encontras desde a última sessão?
Que intenção trazes para hoje?
E teria falado das minhas intenções.
Eu sabia que havia algo diferente.
O corpo da Inês estava a contar uma história que as suas palavras ainda não conseguiam expressar.
Gentilmente, devolvi-lhe o que estava a observar e a sentir.
Ela ouviu-me, suspirou e a sua postura na cadeira mudou.
Contou-me que tinha vivido um conflito com o companheiro poucos minutos antes da sessão.
Enquanto relatava, notei a respiração mais rápida, o tom de voz alterado e os ombros tensos.
E, depois de eu ter acompanhado o relato com expressões vocais não-verbais, a Inês conectou comigo, com abertura e chorou.
Há uns anos, eu teria continuado a sessão com perguntas (como aprendi).
Hoje, graças ao meu entendimento sobre trauma e sistema nervoso autónomo:
Reconheci os sinais de ativação;
Monitorizei os elementos do bem-estar;
E recorri a ferramentas da Experiência Somática para ajudar a Inês a voltar à regulação.
Ao invés de ampliar o conflito numa conversa mental, criei condições de segurança:
Estabelecemos conexão, presença e escuta.
É mágico ver essas mudanças acontecerem no outro, por vezes muito subtis.
Os seus ombros relaxaram gradualmente, a sua face ficou mais leve e o olhar mais conectado.
Quando a Inês estava mais regulada, trouxemos percepção à sua sensopercepção, quer dizer, trouxemos consciência e cognição. Elementos fundamentais para que o coachee se sinta empoderado, com senso de escolha.
A Inês não precisava, na sessão, de entrar logo no modo fazer e definir objetivos para o seu projeto.
Ela precisava de um interlocutor que a visse na sua totalidade, que pudesse criar condições para avançar.
Situações como esta acontecem todos os dias.
E mostram o quanto, como profissionais do desenvolvimento humano, precisamos de reconhecer e trabalhar com as dimensões mais profundas da experiência humana.
Não se trata apenas de ter mais ferramentas, mas de oferecer um espaço verdadeiramente seguro e transformador.
A Inês saiu daquela sessão diferente.
Nas semanas seguintes, relatou mudanças significativas na forma como lidava com o conflito.
Mas, mais do que isso, iniciou uma nova relação com o seu sistema nervoso autónomo.
Começou a treinar a capacidade de encontrar recursos e flexibilidade para transitar entre estados de regulação e desregulação.
Como profissionais, é natural questionarmo-nos:
E se eu não estiver preparado para lidar com o que surge?
Como posso ter a certeza de que estou realmente a ajudar?
Onde está o limite entre coaching e terapia?
É por isso que existe o Programa RAIZ, certificado pela DGERT:
Uma experiência imersiva de 3 dias (e não só) que vai transformar a tua forma de trabalhar e de te compreenderes como profissional.
Diferencia-te no mercado com uma abordagem íntegra e completa.
Eleva-te a um nível de practioner mais inteiro.
Não existe outro programa que combine de forma tão prática e experiencial os fundamentos da Psicologia e do Trauma com as ferramentas do coaching, de parentalidade e comunicação compassiva.
Estás pronto para elevar o teu compromisso com uma prática profissional mais completa?
Sabe tudo aqui.
Abraço sereno,
Ana Higuera

