Segurança não é o que parece

Hoje falo-te sobre segurança.


Falo-te sobre sinais de segurança e sinais de ameaça porque, durante muitos anos, estive muito treinada a identificá-los.

Na minha infância e juventude vivi num contexto onde a violência era presença constante, na Colômbia nas décadas de 80 e 90.

Testemunhei várias situações violentas, algumas das quais afetaram diretamente a minha família.

Quando crescemos assim, o sistema nervoso fica hipersensibilizado e corre o risco de começar a confundir o que é familiar com o que é seguro.

Quando vim para a Europa, em 2007, aprendi algo que até então não sabia que existia:

O privilégio da segurança.

Andar na rua sem medo. Dormir sem sobressaltos. Viver sem hipervigilância.

Quando uma realidade adversa se torna o “padrão”, simplesmente porque é o único contexto conhecido, o sistema nervoso adapta-se para sobreviver.

Não porque seja saudável, mas porque é previsível.

O que é constante deixa de ser lido como ameaça imediata.

Mas é importante lembrar: a familiaridade é diferente de segurança.

Isto é central quando falamos de trauma.

O corpo aprende que o familiar é previsível, mesmo que seja perigoso.

Em linguagem mais somática: o corpo pode confundir o que é familiar com o que é seguro.

Daí que muitas das nossas escolhas não sejam totalmente conscientes. Elas surgem, porque o corpo assim aprendeu.

Há contextos na tua vida que se tornaram “normais” apenas porque sempre foram assim?

No meu caso, a resposta é sim.

E foi estudando trauma e experiência somática, acompanhando clientes e ensinando outros profissionais, que percebi algo essencial: segurança não é ausência de perigo.

E esta aprendizagem acompanha-nos para a vida adulta.

Ela estende-se a:

  • Às nossas relações;

  • Aos contextos de trabalho;

  • Às decisões importantes;

  • À forma como toleramos o desconforto;

  • e até à forma como nos tratamos a nós próprios.

Às vezes, escolhemos o que nos é conhecido, mesmo que nos crie conflito interno.

Evitamos o que é novo, mesmo que nos possa fazer crescer ou sentir mais realizados.

Hoje, com mais consciência corporal e maior capacidade de observação, faço um exercício simples e transformador:

Pergunto-me menos: “isto é familiar?”

E mais: “isto é seguro para mim, agora?”

Seguro não significa fácil. Significa que o meu corpo consegue respirar. Que não estou em esforço constante. Que há espaço para escolha, para limite e para presença.

Partilho isto contigo porque acredito que muitas mudanças verdadeiras começam aqui: na capacidade de distinguir familiaridade de segurança.

Este e outros temas são abordados no Programa Raiz.

Um programa criado para que a segurança esteja presente.

Encontra todas as informações aqui.


 
 
 

Abraço sereno,

Ana Higuera

 

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